E A C O E L H O

UM PRETENSO POETA

Meu Diário
26/05/2010 23h50
UMA NOVA LINGUAGEM
Como expus no relato anterior, até então tenho postado tão somente poemas, crônicas e outros textos ligados ao lirismo de que tanto gosto, diria assim o lado poeta de um ser normal, responsável e até austero, como satiriza a Josi, minha nora (a preferida). Tenho tão somente “curtido” a irresponsabilidade à tantos olhos, o egoísmo, para outros ou até o lado menos centradO e que até contraria as minhas atitudes e conduta, para quem me conhece no dia-a-dia. Para quem desconhece o homem que, bem no fundo, não faz nenhuma questão de esconder todo o sentimentalismo, toda a sensibilidade que sempre está muito bem inserida no íntimo de qualquer homem, por mais conservador que pareça. Tudo isso, contudo e sobretudo, sem perder o eixo da responsabilidade, do juízo, da coerência e dos conceitos sociais, morais e profissionais do meio em que vive e sobrevive.
 
Verdade sim. O lado poeta é uma vertente que diria se mantém meio que escondida da minha vida cotidiana, como se fosse a prostituta da madrugada vestida na dama do amanhecer. Assim como se fosse o palhaço que brinca no picadeiro, enquanto o cético ri das próprias travessuras e nem acredita nas suas próprias peripécias. Sou um palhaço que não precisa de uma personagem para interpretar o poeta sonhador e crente nos mais profundos valores dos sentimentos mais naturais de todos os seres humanos. Por mais deshumamos que possam fazer questão de ser.
 
Mas creio já possa pensar em mesclar o que produzo e aqui publico. De repente já está na hora de escrever um pouco sobre o outro lado do amante das estrelas. Vou sim incorporar o poeta e dizer das coisas mercantilistas da vida,  sempre – evidentemente – mantendo o senso do bom gosto e quem sabe possa e consiga traduzir tudo que tenho para dizer, numa linguagem agradável, utilizando-me das metáforas, figurações e imagens que somente os poetas tão bem conseguem versatilizar.
 
Quem sabe eu posso trazer mais e mais gente à leitura, com uma linguagem diferente, renovadora, mesclando as figurações dos poetas, com as informações do redator. Quem sabe poderei fazer sentar na mesma mesa, comer no mesmo prato, a prática didática com o encanto das histórias e causos. Quem sabe eu consiga fazer com que deixe de ser fragilidade dizer de amor. Ou fazer com  que nao mais pareça frieza e calculismo, resultados práticos e lucro crescente. Talvez eu consiga dismistificar e mostrar que sucesso acima de tudo é bonito sim. Que a glória e a vitória é o encanto da vida e podemos tê-las todos os dias. Em todos os aspectos da vida, a começar pelas vitórias profissionais, pelo sucesso profissional.

Quem sabe eu possa por poesia na condução dos negócios bem sucedidos. Quem sabe eu convença o executivo mais prepotente que tudo que ele deseja é ser sucesso para conquistar simplesmente uma mulher. Para mostrar a quem até já esqueceu, que ele pode.Quem sabe eu possa dizer sem ferir suscetibilidades, que a avareza é a tradução doentia da insegurança. Quem sabe dizer  que a mulher que circula altiva em salas de reuniões, que vende a imagem da mulher independente e emancipada, quer tão somente mostrar ao homem qualquer, em tempo qualquer, que desdenhou a fêmea que se oferecia  e que nem foi notada. Quem sabe, com uma linguagem lírica e poética, eu possa dizer a mesma mulher que apregoa a segregação sexual, que bem no fundo da sua alma, onde ainda impera o querer instintivo pela maternidade e a submissão ao seu homem, deseja mesmo é poder ser simplesmente uma mulher. Mulher de um homem. Do seu homem.

Quem sabe, numa linguagem tantas vezes considerada chula e boba, que o profissional de vendas é um poeta cotidiano, um conquistador de mares, um mercador de sonhos. Quem sabe eu possa convencer, de forma lírica, que um engenheiro não é nada mais que um menino que brinca a sério.

Talvez eu até consiga convencer, com a linguagem da poesia, os operários mais brutos e bruscos, que talvez eles sejam assim porque acreditaram piamente nas conversas dos adultos, nas salas de star, que teria que crescer para ficar forte, para proteger e sustentar a mulher e os filhos. E ele assim o faz, dentro dos princípios naturais do homem e mulher, simplesmente obediente aos instintos contidos em seus princípios genéticos; o provedor-protetor da prole.

Tanta coisa a linguagem da poesia pode dizer diferentemente, aos mais frios, céticos, brutos, ansiosos, gananciosos e demagogos que circulam pela vida sem ter a oportunidade de deslumbrar verdades que a simplicidade da poesia pode transmitir. Quem sabe possa provar que "temos sim que ser duros, mas jamis perder a ternura".

Oxalá consiga desmistificar essa conduta das linguagens específicas segundo os temas e as intenções. Vou sim tentar fazê-lo. Quem viver verá. Claro se quizerem e se propuserem a ler.

Publicado por EACoelho em 26/05/2010 às 23h50
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